Futurado
Que dia foi ontem... Com partes
indecorosas e tudo mais?
Quando entrei na sala, lá já me
esperava o Encarregado da Imagem Corporativa digitando no celular. Escrevendo no
seu, o Diretor-Sênior da Segurança Institucional. E um rapaz que não aparentava
ter mais de vinte anos, justo quem deveria impedir a pilhagem das ideias de
projetos não formatados.
Depois de, algo errático, descansar o
telefone na mesa, aí é que fui apresentado a isto tudo pelo sujeito que desfilava,
sem parar de falar de si na terceira pessoa.
Ao Ego de Rodes não gostaria de
agradecer, porém me via obrigado a fazê-lo, pelos seus laços de sangue com uma amiga
querida que indicou a mim para redator júnior, vaga à qual me expus por e-mail,
embora pouco dado ao Mundo de Jobs.
Nesta mensagem, relatei a minha passagem
não diplomada pela graduação, nos anos 80, em Jornalismo na ECA; a minha
formação em Letras, na Católica de Santos, nos anos 2000; e a minha atuação
como professor, aprovado em concurso público, na rede de Praia Grande, tão logo
formado. E, disposto a não ir pelas encruzilhadas da Odisseia, emendei títulos
de alguns dos livros escritos por mim. Em poucas linhas, uma vida.
Minha mensagem enviada do celular, mesmo
sem maiores cuidados na forma e fonte precária de expectativas, bastou ao empresário.
O presumido patrão que se revelou aquela pessoa 100% centrada em não fazer
questão da privacidade das mil e quatro soluções discutidas na minha frente? Este
desconhecido que acabara de sentar à mesa sem nenhuma confirmação da minha
história ou da identidade atribuída a mim pelo nome que dei à atendente do
balcão à entrada daquela empresa criativa o suficiente para estar antenada com
o tempo presente, eu, pois, funcionário ali?
Talvez para causar impacto, quiçá passar
boa impressão ou por excesso de açúcar mesmo, o surpreendente é que bebi só um
gole do suco de beterraba com laranja, de origem orgânica, que me foi servido
num copo de papel reciclável, conforme fui alertado. Um aperto de mão selou o
divórcio amigável.
Sem me assumir como um imprestável, os
nomes da firma e do proprietário foram excluídos da lista de contatos
telefônicos. Hoje, um celular vem com aplicativos que nem faço ideia para que
servem. Todavia nem precisei aprender a apagá-los, pois, mal toquei no assunto
com minha amiga solidária que chegava da escola de balé com sua neta de seis
anos, a menina experta cuidou disso com uma contagiante alegria cândida.
Carambolas... Caracas... Sem crise.
Não fico mais me engasgando a torto e
a direito. Entre uma garfada e outra da feijoada magra, a televisão de sempre fala
que, agora em junho, já conseguimos chegar a 6.198 bolsas de pós-graduação
cortadas por falta de dinheiro. Bah!
Penso na danadinha da pequerrucha que
salvou o dia. Ela é pessoa que urge ir adiante para não adiar o futuro.
Rodrigues
da Silveira
Praia Grande, dia 06 de junho de 2019.
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