suspiro do inverno numa tarde de verão
quando
escapa do vidro,
o
sonho caminha entre as prateleiras,
sem
deixar a impressão oleosa
nas
caixas de sabão em pó.
irrompida
fresta no meio do corredor,
na
meridional do passo, o buraco é um poço.
com
a plumagem dentro do prazo,
olha,
grasna e goza, salta sem esforço e goza.
voltando
pro circo, os palhaços,
entre
latinhas de cerveja e garrafas de rum,
despercebidos
do bafo, deixam aberta a passagem.
posso
beber água na bica?
seu
barato ainda é contar moedas?
o
sonho fuma a ousadia, mais outra
da
criança? diz a tradição da traição, do fundo
para
diante, troca os fonemas, sua voz metálica do enigma
querendo
dizer, esperando ouvir, um sim
do
mesmo, seja sincero e sonoro, seja mesmo um sim.
a
camiseta são os troncos caídos, as cinzas
da
floresta dos xamãs orientados; ao antagônico,
fosse
um lar. aos pretendentes do trono, o abatido do uníssono.
sementes
da areia alimentam najas,
há
braços hipnotizados por cigarros vulturinos.
desdenhada
a lua, amante dos sonhos, frutifica o avesso.
coma-se,
flor do inverno; oculte-se, breu do véu.
à
porta, quem chega atravessado,
direto
pro setor, toma do gosto a graxa,
samba
os sapatos, batuca a caixa, teme um invisível
que
canta o que vê. os pés lambidos.
o
engraxate cego de atrações, faísca, enxerga rastros.
no
meridiano das plumas, o pássaro do bizarro?
e
dói um bocado tecer a noite. nenhum mendigo está só,
a
disfarçar-se, assobio a arrepiar-se lume.
é
adrenalina, é dopamina, é ninguém no tragado.
cadê
a serotonina do desespero?
o
coração da razão é o espelho do eco.
(rodrigues
da silveira, 2017)