quarta-feira, 19 de setembro de 2018


sono do menino


adormece,
os monstros do oceano vão pra debaixo da cama.
o vento dos sonhos espalha rochedos
entre as penumbras dos brinquedos.

falta-lhe fé, ó militante das falácias.

como criança no pijama do seu paraíso,
vê nítido o que vem.
vem o monstro mais bonzinho, embora o mais feio,
o único que se arrisca a caminhar na sua direção.

o menino abre os olhos,
descobre-se na cama, dá com o pasmo imenso do bicho.

o monstro todo tímido:
olá... tudo bem... tome uma flor.

sem saber o que fazer,
o olho pensa rápido pelo menino: come-a.
com o arroto, ele acorda.

(rodrigues da silveira, 2016)

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