o príncipe dos mundos
amarremos
o cão andarilho
com
as palavras que permitam controlar os ganidos de dor,
para
que o lixo da noite seja recolhido.
e
a madrugada acorda sem poetas caídos da cama.
amamentemos
o cão maltrapilho
com
o leite entrevado de nossas mamas enrugadas,
para
que o caminhão possa passar.
e
a madrugada desponta sem poetas caídos na lama.
adornemos
o cão moradilho
com
as placas de letras gritantes de vende-se
para
que não queimemos de pronto aqueles barracos de vento.
e
a madrugada traz os poetas saídos da lama.
amemos
o cão fanfarrilho
que
nos salta sobre a carne das maçãs,
nós
que nos distraímos assuntando essa fome dos reinos.
e
a madrugada estraga os poetas traídos na cama.
pelamordedeus,
é preciso mostrar o pau?
(rodrigues
da silveira, 2016)
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