terça-feira, 25 de setembro de 2018

o príncipe dos mundos


amarremos o cão andarilho
com as palavras que permitam controlar os ganidos de dor,
para que o lixo da noite seja recolhido.
e a madrugada acorda sem poetas caídos da cama.

amamentemos o cão maltrapilho
com o leite entrevado de nossas mamas enrugadas,
para que o caminhão possa passar.
e a madrugada desponta sem poetas caídos na lama.

adornemos o cão moradilho
com as placas de letras gritantes de vende-se
para que não queimemos de pronto aqueles barracos de vento.
e a madrugada traz os poetas saídos da lama.

amemos o cão fanfarrilho
que nos salta sobre a carne das maçãs,
nós que nos distraímos assuntando essa fome dos reinos.
e a madrugada estraga os poetas traídos na cama.

pelamordedeus, é preciso mostrar o pau?

(rodrigues da silveira, 2016)

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