o corpo devorado
não
lembra a primeira palavra
do
primeiro poema.
nem
se lembra se pensada
ou
logo escrita.
dói
atirar-se ao corte antes do curativo.
a
primeira palavra parece encantada,
latejando
ainda,
querendo
vir pelo grafite do lápis.
nem
é bom querer lembrar-se,
só
se está querendo ter febre, certo?
o
primeiro poema que nunca será escrito,
sempre
será lembrado.
e
como dói.
(rodrigues
da silveira, 2016)
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