terça-feira, 18 de setembro de 2018


o corpo devorado


não lembra a primeira palavra
do primeiro poema.

nem se lembra se pensada
ou logo escrita.

dói atirar-se ao corte antes do curativo.

a primeira palavra parece encantada,
latejando ainda,
querendo vir pelo grafite do lápis.

nem é bom querer lembrar-se,
só se está querendo ter febre, certo?

o primeiro poema que nunca será escrito,
sempre será lembrado.

e como dói.

(rodrigues da silveira, 2016)

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