sexta-feira, 28 de setembro de 2018


em carne vive


meu verso é um vespeiro,
onde me hospedo, aventureiro.

dele não saio impune, não recuso as ferroadas.
dou minha palavra, já que ninguém me defende de mim.
ataco-me como cão ferido, possuído pelo mel dos raivosos.

dança em mim o braseiro dos ferrões;
aperfeiçoado pelo ouro dos sentidos, danço.

se o verso começa de repente?
é pra nada dizer além do gasto, ter a sua pantomima.

esse poema diz tão pouco,
certo de ter no controle a doçura da sua procedência.
querendo em fogo brando o entendimento.

ai ferrão, jamais seja desperdiçado.

pesa-me o enxame, impondo-me outro poema?
na vez das rosas, pedras.

(rodrigues da silveira, 2016)

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