poema útil
cale-se,
poema,
se
não tem nada pra dizer, cale-se.
pra
que ficar fazendo marolinhas
quando
o mar está infestado de tubarões?
quando
o céu não esconde estrelas mortas,
a
ignorância está nos olhos de quem pensa que o vê.
por
que insiste em querer tudo em ordem,
querendo
a quimera destrinchada.
com
a palavra certa no lugar certo, por quê?
se
nunca se arriscará saltar entre os trapézios,
pra
que colocar a rede?
poema,
perca o juízo, perca-se.
ao
menos uma vez, erre a mão e grite pela vida, a sua vida,
vamos,
poema, seja exemplar pelo exagero,
seja
pérola barroca, única na imperfeição.
vamos,
poema, não se deixe naufragar em plena praia.
(rodrigues
da silveira, 2017)