Cores
vivas
Biologicamente, sou um ser movido à
energia limpa, elétrica e cerebral, cuja fonte, para me preservar operante em
razoável funcionamento, procede da digestão de materiais orgânicos de origem
animal, vegetal e artificial.
Assim, além do sonoro palavrão que o
recato aconselha-me a não digitar, assinalo que tomo um susto ao ler que
Angra 3 nos sublimou R$ 7 bilhões e, vibrando pela sobrevivência desta unidade,
a Eletronuclear ferve pelo dobro.
Agora, leio a matéria de Edison Veiga
no portal BBC News a respeito das preocupações ambientais de cientistas
europeus, pois, nas terras do segundo maior parceiro comercial do Brasil, há apreensões
com o que o governo faz com o Meio Ambiente.
De acordo com dados de 2018 do
Ministério da Economia, nossas exportações para a União Europeia chegaram a R$
42 bilhões, ou 17,56% do total exportado pelo país.
Ressaltemos que a carne corresponde a
US$ 500 milhões, o minério de ferro a US$ 2,9 bilhões, o cobre a US$ 1,5
bilhão. Segundo a FAO, órgão da ONU para assuntos de alimentação, a pecuária é
responsável por 80% do desmatamento do Brasil.
Para não importar o nosso desmatamento
para dentro das suas casas, 602 cientistas de todos os 28 países membros da
União Europeia publicaram carta na Science, no dia 26 de abril, solicitando às
autoridades do Velho Continente “a defesa da Declaração das Nações Unidas sobre
os direitos dos povos indígenas; a melhora dos procedimentos para rastrear
commodities no que concerne ao desmatamento e aos conflitos indígenas; e a
consulta e obtenção do consentimento de povos indígenas e comunidades locais
para definir estrita, social e ambientalmente os critérios para as commodities
negociadas”.
Diante do exposto, e sensibilizado com
o nosso presidente, pela coragem ao denunciar como falsas verdades as supostas
notícias, certo de que procedo com dignidade ao exercer o meu direito de agir
com autonomia, vou com os que o apoiam nesta sua exortação de menos cubismo,
que enquadra a realidade.
Como, de fato, a verdade que liberta é
a do olho que vê pela perspectiva das curvas, prefiro entender que retas
resultam nos quadrados que murcham este brasileiro, logo a mim que estou mais para
abacate do que melancia.
Todavia, sem deslumbramentos com os
arcos-íris da vida, o súbito tira o ar que respiro e acabo roxo de raiva quando
tomo conhecimento da última pesquisa CNI-IBOPE. Este inquérito de opinião da
nossa gente esfrega na minha cara que os 48% das pessoas entrevistadas acham supimpa
o que o governo anda aprontando com o Meio Ambiente. Só 48%!
Santo de casa não faz milagre? Não
amarelo, não.
Por isso, faço justiça aos 51% que saúdam
positivamente a Educação e, no histórico do MEC, trato de pintar de azul esta leitura
fabulosa da agenda que os governantes fazem circular.
Afinal, 51 desce redondo.
Rodrigues
da Silveira
Praia Grande, dia 28 de abril de 2019.
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