Em
tempo
Como a guarita de vigilância fica ao
lado do portão de entrada do edifício onde moro, costumo parar para conversar
com seu Josué, o incansável faz-tudo do condomínio.
Os assuntos acabam sendo os do dia a
dia ─ se vai chover; se logo mais o Cruzeiro será campeão sobre o Timão; se é
verdade que o Bolsonaro caçará o título de Padroeira do Brasil de Nossa Senhora
da Conceição Aparecida.
Isso e mais aquilo, mas sem alvoroçar
o gogó e sem o entusiasmo descabelante dos fanáticos. Mantemos a civilidade:
eu, na minha fé de levantar outro caneco em nossa casa, e o mineiro, que não
disfarça o otimismo azul por sua Raposa.
De cara, pelo que tem chovido nas
últimas semanas e com o céu fechado que não permite alguma nesga para o sol,
opto pela chuva vespertina, ao que me segue já agora um desalentado jardineiro,
olhando no arbusto a copa indisciplinada, toda túrgida de tão verdejante.
Gosto de gente assim, cuja conversa
não é de quem fica de papo para o ar. Eis que pronto se faz a hora, e como
ambos não matamos o dia curtindo tudo que nos enviam pelos grupos zapianos,
vamos à luta.
O zelador trata de pegar na caixa do
correio as correspondências, para vir distribuindo-as do sétimo andar ao
térreo. Despede-se de mim, e some prédio adentro.
De minha parte, vou-me embora para a
escola, pois lá tenho alunas e alunos à minha espera. E nesta quarta de tantas
inquietações, está agendada uma produção textual a partir da leitura de um
poema do Luiz Gama, Saudades do Escravo.
Preciso esquecer o jogo noturno, pois
nem quero pensar que vão usar o VAR, esse recurso que tanto estrago fez nos
campos da Rússia. Em pleno século 21, o ser humano depender das lentes da
tecnologia para abrir os olhos para o que vê?
Tudo certo, tudo em ordem. Como o
cronista já sabe do hexa celeste, melhor mudar o assunto.
Afinal, estou encafifado... Por que
não bolam algum treco eletrônico de ponta que faça chegar ao Tribunal de
Justiça de São Paulo a decisão (de 2014) do Superior Tribunal de Justiça quanto
às responsabilidades do que fazia em 1971 o coronel Ustra.
Como diz o sábio, momentos há para
falar e para calar.
Bendito VAR!
Rodrigues
da Silveira
Praia Grande, dia 18 de outubro de
2018.
VAR DE RETO...
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