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Em quaisquer dos campos do
conhecimento relacionados às coisas humanas, pergunto-me: aproveitar um
conceito do presente para fixar uma explicação do passado ou valer-se de um
conceito do passado para formular uma explicação do presente? Nenhuma das
anteriores. Empregar um conceito do presente para tentar alguma explicação do
presente é de minha preferência. Preferência, pois vivo aqui e agora.
Em português simples e direto. Para fugir
a mistificações.
Eu busco assento na palavra, como
diria o Ruy Castro, este veículo em que, digo eu, alcanço me ajeitar menos
desconfortável ao passar meus olhos no mundo, na realidade com a qual tenho de
lidar e nas gentes que se relacionam comigo de toda sorte de modos.
Boas maneiras em meio a muita
informação?
Faço de mim o experimento a me educar.
Para a vida e com a vida. Reflito-me. As retinas como filtro. Os tímpanos como
radar. As narinas como sonda. As papilas como bússola. A mente e o corpo em
comunicação e diálogo, permanentes. Especulo-me. Para que as digitais não
contaminem com as minhas identidades o inaceitável, o intolerável, o
antipático.
O zumbido dos tempos faz a rosa girar,
e rodar.
Nada de certo ou errado. Apesar do
certo e do errado.
O trânsito entre as verdades por
vezes, e muitas vezes, não traz a chave para a fechadura. A porta segue
impávida.
Acabo de fora? Chego atrasado à festa?
Com as mãos no bolso? Com a boca lacrada pelo voto?
Perco a alegria. Não paro de aprender
a ganhar em alegria, para melhor perdê-la. Contradizer-me, dissolver-me, já que
fui névoa, já que serei outra nódoa. Habitar-me, sem habituar-me ao portal de
mármore. Penso. E não desisto de pensar. Sinto. E não desisto de sentir.
Ainda há quem fale, ouço ainda as
vozes, e lutarei para nos ouvirmos ainda. Pelo pouco que posso saber?
Ferro em brasa, Carlos, sou uma chave.
Eis o homem do povo que não teme o
sol, a chuva, o vento, e medra em solo inculto. Entre o possível e o provável,
erro a mão. À margem de mim, por que não caibo no número que me cabe? Punição
pelo envolvimento, obviamente.
Amor, na conta de cabeça. Humor, na
ponta do lápis.
Vem daí, da soma dos nulos, dos
brancos, das abstenções e dos votos nos candidatos que ficaram pelo caminho, é
desta álgebra elementar que me chega, em conclusão, que o futuro não é mais como era antigamente.
Este é o momento. Aqui é o lugar.
Rodrigues
da Silveira
Praia Grande, dia 28 de outubro de
2018.
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