domingo, 28 de outubro de 2018

Noves dentro



Noves dentro

Em quaisquer dos campos do conhecimento relacionados às coisas humanas, pergunto-me: aproveitar um conceito do presente para fixar uma explicação do passado ou valer-se de um conceito do passado para formular uma explicação do presente? Nenhuma das anteriores. Empregar um conceito do presente para tentar alguma explicação do presente é de minha preferência. Preferência, pois vivo aqui e agora.
Em português simples e direto. Para fugir a mistificações.
Eu busco assento na palavra, como diria o Ruy Castro, este veículo em que, digo eu, alcanço me ajeitar menos desconfortável ao passar meus olhos no mundo, na realidade com a qual tenho de lidar e nas gentes que se relacionam comigo de toda sorte de modos.
Boas maneiras em meio a muita informação?
Faço de mim o experimento a me educar. Para a vida e com a vida. Reflito-me. As retinas como filtro. Os tímpanos como radar. As narinas como sonda. As papilas como bússola. A mente e o corpo em comunicação e diálogo, permanentes. Especulo-me. Para que as digitais não contaminem com as minhas identidades o inaceitável, o intolerável, o antipático.
O zumbido dos tempos faz a rosa girar, e rodar.
Nada de certo ou errado. Apesar do certo e do errado.
O trânsito entre as verdades por vezes, e muitas vezes, não traz a chave para a fechadura. A porta segue impávida.
Acabo de fora? Chego atrasado à festa? Com as mãos no bolso? Com a boca lacrada pelo voto?
Perco a alegria. Não paro de aprender a ganhar em alegria, para melhor perdê-la. Contradizer-me, dissolver-me, já que fui névoa, já que serei outra nódoa. Habitar-me, sem habituar-me ao portal de mármore. Penso. E não desisto de pensar. Sinto. E não desisto de sentir.
Ainda há quem fale, ouço ainda as vozes, e lutarei para nos ouvirmos ainda. Pelo pouco que posso saber?
Ferro em brasa, Carlos, sou uma chave.
Eis o homem do povo que não teme o sol, a chuva, o vento, e medra em solo inculto. Entre o possível e o provável, erro a mão. À margem de mim, por que não caibo no número que me cabe? Punição pelo envolvimento, obviamente.
Amor, na conta de cabeça. Humor, na ponta do lápis.
Vem daí, da soma dos nulos, dos brancos, das abstenções e dos votos nos candidatos que ficaram pelo caminho, é desta álgebra elementar que me chega, em conclusão, que o futuro não é mais como era antigamente.
Este é o momento. Aqui é o lugar.

Rodrigues da Silveira
Praia Grande, dia 28 de outubro de 2018.

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