o conto da cabeça
o fantasma mais
alto
falava mais
baixo. tossia, e tossia,
mal disfarçando
o nojo.
as crianças é
que faziam da repartição um parquinho.
o fantasma mais
trapalhão
pensava mais
sério. gramava, gramava,
mal visualizando
o vaso.
sem que se desse
por direito, a petúnia crescera torta.
o fantasma menos
fantasma
mais ficava
fantasiando. queimava,
queimava, mal
dimensionando o fogo.
o carbono
torrado passa a impressão de um diamante.
dessa gente toda,
o fantasma só fantasma,
sem queimar a
pestana, fumava,
e fumava a
chuva, nódoa que avançava:
adeus à morta,
adeus ao corpo, adeus amante.
(rodrigues da silveira, 2018)