amestre-se, melhor amigo do homem.
abane o rabo. finja-se de morto a
transbordar
humanidades. role no chão, tão
impulsivo.
a feracidade do pensamento? que
tormento!
pela disponibilidade do efusivo,
adestre-se, exemplo de fidelidade.
deixe-se ensinar à felicidade
das crianças, mas aprenda a largar
o osso, não queira escondê-lo.
e não se esqueça: se mostrar
as garras, dá-lhe focinheira!
que isso de espumar de raiva é
besteira.
se sentar bonitinho, que gracinha!
e se ficar de guarda? e se der a
patinha?
ô espantalho do sensato,
nem precisa tanto espalhafato,
o nove é mesmo pra falar com a
atendente!
dizem que sou grossa... ora, gente,
grossa é a lã do novelo...
aliás, cadê o meu novelo?
(Rodrigues da Silveira. In: MUDO,
2014)