sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016



o saber do sal

a palavra manipulada como lama
os dedos são pinças
a desamparar os siris às seis da manhã
na lida às seis da manhã
o sol no levante

a palavra amparada por um lápis
a descamar a noite
a destroçar velas na areia despachada
sem a aprendizagem do riso
algum dolente riso

tão oceano o enfadonho

e o molusco lamejante
sua fala ofuscada como palavra aberta
quer-se gaivota assentada na brisa
mas essas máscaras puídas de lucidez
mas esse lodo de engodos
esse querer vestir-se de palavra
querer sentir-se em casa
querer-se

 (rodrigues da silveira, 2015)


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