sábado, 28 de julho de 2018


a ampulheta de moebius


um tardio sol tatuado como estaca
no coração põe-se outra ferida
raio a raio cristalizada
à miragem escapulida do sombrio
no refletido desse fado mais do que necessário
o sifilítico no desocupado
no opaco o invisível é espelho enegrecido

vem e passa esse ontem interminável
a cravar suas águas efluviais na jugular do rio
como se à areia que vive esse amanhã vivido
passasse o esquálido do morrido
mas o verde incomunicável passa e vai

é a mocinha distraída pela manhã
submersa em suas águas
tão saída no terra a terra da vida
tão distante do que seja uma fada
o imprevisível latente no peito
como uma lua em chamas na mata
o beijo permanece aberto
singelamente

(rodrigues da silveira, 2015)

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