a ampulheta de moebius
um
tardio sol tatuado como estaca
no
coração põe-se outra ferida
raio
a raio cristalizada
à
miragem escapulida do sombrio
no
refletido desse fado mais do que necessário
o
sifilítico no desocupado
no
opaco o invisível é espelho enegrecido
vem
e passa esse ontem interminável
a
cravar suas águas efluviais na jugular do rio
como
se à areia que vive esse amanhã vivido
passasse
o esquálido do morrido
mas
o verde incomunicável passa e vai
é
a mocinha distraída pela manhã
submersa
em suas águas
tão
saída no terra a terra da vida
tão
distante do que seja uma fada
o
imprevisível latente no peito
como
uma lua em chamas na mata
o
beijo permanece aberto
singelamente
(rodrigues da silveira, 2015)
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