quinta-feira, 26 de julho de 2018


a porta de satanás


a cidade está maravilhada,
dadivosa que só, a danadinha,
antes atordoada, agora maravilhada,
crescente no verde de suas ramagens,
cordel de cimento no aço dos fumados,
calçada de vanidades fumadas, temporais,
cresce pelos vãos da calçada, fotos comportadas,
nos braços nus, sem pulseiras e relógios,
nos colos límpidos, puros, sem colares,
nos tornozelos, só as fitinhas crônicas,
não há coleiras de ouro, ou prata, é pelo couro
que acalanta qualquer cantinho,
silenciosa, no escurinho, no cativante,
toda certinha no ápice que esgota, pra baía toda,
ó guanabara da gema.

não gema o prazer com orgulho,
ó abstinente no calçadão, ó tunga do bagulho,
ai o absorvido da turba, ai o querido das marcas de tênis,
deixe para a areia a destreza dos pés, as mãos ligeiras,
ó coração atingido. de tanto amor, carioca.

(rodrigues da silveira, 2017)

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