a porta de satanás
a cidade está
maravilhada,
dadivosa que só, a
danadinha,
antes atordoada,
agora maravilhada,
crescente no verde de
suas ramagens,
cordel de cimento no
aço dos fumados,
calçada de vanidades
fumadas, temporais,
cresce pelos vãos da
calçada, fotos comportadas,
nos braços nus, sem
pulseiras e relógios,
nos colos límpidos,
puros, sem colares,
nos tornozelos, só as
fitinhas crônicas,
não há coleiras de
ouro, ou prata, é pelo couro
que acalanta qualquer
cantinho,
silenciosa, no
escurinho, no cativante,
toda certinha no
ápice que esgota, pra baía toda,
ó guanabara da gema.
não gema o prazer com
orgulho,
ó abstinente no
calçadão, ó tunga do bagulho,
ai o absorvido da
turba, ai o querido das marcas de tênis,
deixe para a areia a
destreza dos pés, as mãos ligeiras,
ó coração atingido.
de tanto amor, carioca.
(rodrigues da silveira, 2017)
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