Politicamente
correto
O Brasil do jeito que anda, você
sorrindo e eu com cara de idiota. É óbvio. Vamos ter de ter um papinho sobre os
valores inquestionáveis para uma vida em comum. Uma vez que essas verdades tornaram-se
vidraça para pedras de diversos quilates. E acredito no destino a que nos
encaminham as nossas ações. O preço que estamos pagando? Parece-me um baita exagero
afirmar que o país esteja condenado a perder a graça. O humor e o escracho, por
acaso, estão no fundo das gavetas? Não sei dizer quando darei adeus à percepção
da vida como um jogo tenso entre a alegria e a tristeza. O idiota em mim quer
sorrir sem ter motivos, sem querer marcar posição como uma afronta ou para ter posicionamento
político. É que levo muito a sério o sorriso. Mas sem culpa. Sei que nem é
carnaval, mas encho a cara. É sem maldade alguma, só para me divertir. E os
chatos vêm dizer que homem mijando na rua é uma vergonha, que é o típico
exemplo da masculinidade líquida. Nem bêbado vou usar muro ou árvore como
mictório. Peço que não me tome, menina, como um exemplo de pessoa civilizada. É
coisa simples. Não confundo brincar o carnaval e achar política em tudo. Acho
que levo uma vida normal. De repente, a culpa do gelo derretendo nas calotas
polares é de quem gosta de tomar sua cervejinha bem gelada? Daí surgem os que
condenam o ar-condicionado, pois causa impacto no meio ambiente. Causa mesmo. O
ar fica suportável, ótimo para ver o futebol sem ficar nuzinho. Mesmo porque em
casa temos você que faz da gente um reino à parte e olha o modo de falar e os
gestos da gente, essas coisas. Sua mãe até curte me ver peladão, admito. Mas de
boa, filha, sem esculhambar para a política. Não suporto ficar choramingando
feito vítima. Fica difícil. E nem posso falar nada que já vão logo pegando o
que não disse para justificar a política deles contra o que acham que falei.
Isso é política de marxista que vê fascista em quem não pensa como ele. A discórdia
é que nos mantém bem a distância. Política de gente que não aprendeu nada com o
que aconteceu com o Muro de Berlim. E não adianta ficar esperneando. Fazendo birra?
O que é preciso é ficar alerta. Há muito espertalhão à solta por aí, nas
escolas, nas faculdades, são uns vendidos ao comunismo que ficam pondo minhoca
na cabeça dos menos experientes que ouvem como se fosse um chamado para
atravessar o mar, feito um Moisés que tivesse magia nas palavras. Não, os
meninos vão na onda e acabam aprendendo a pensar mais do que deveriam. Daí nossos
bebês ficam repetindo, repetindo essas besteiras. Olha, princesa, o papai acha aquela
moça que está passando de vestidinho bem bonita, mas não é por isso que ele vai
querer assobiar nem pensar nisso. Ando na linha porque já tenho uma princesinha
linda de morrer. Quer colo, é? Tá muito quente na cestinha, eu sei. Cadê o
sorrisão que eu tanto adoro, hein?
Rodrigues
da Silveira
Praia Grande, dia 14 de fevereiro de
2019.
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