quinta-feira, 23 de julho de 2015
segunda-feira, 20 de julho de 2015
na
carteira
meu
suor
diamentes
dilapidados por lápis dissimulados
me
detratam sal mínimo num jornal 3X4 multidolor
não
é ao santo como dádiva desprezível
lástima
envaidecida de um espantalho cômico
à
guisa desse pudor dessa brisa sem vida
é
mortalha que me traduz em mim
(rodrigues da silveira, 2006)
sábado, 18 de julho de 2015
da natureza
espero a fidelíssima
como instante breve
um súbito levantar âncora
triste alegria?
espero essa derradeira canção
e cantarei a pleno pulmões
alegre tristeza?
espero a intransferível
seja breve canto incontornável
simplesmente
(rodrigues da silveira, 2006)
quinta-feira, 16 de julho de 2015
quarta-feira, 15 de julho de 2015
menir
seria
ótimo, não fosse belo
o
unicórnio o númeno
mas
tal beleza exclui tantas coisas...
seria
cômico, se fosse sublime
o
despudor ou a sacanagem
mas
essa mensagem... esse esplendor...
seria
lindo, se houvesse lógica
nesse
cadáver lírico
nesse
riso afásico
mas
a carne é...
seria
próprio, acaso sonhasse
mesmo
com tanto mar a tantalizar...
mesmo
com lecanomantes como amantes...
seria
pedir demais, acordar?
(rodrigues da silveira, 2004)
quinta-feira, 9 de julho de 2015
sábado, 4 de julho de 2015
preposições
eis-me
branco
meu
hábito irrevestido de espantos
página
a ser escrita
mandando
pro espaço
a
ladainha de manequins
essas
insignificâncias
sem
acabamento
eis-me
palidez
diante
dessas implicâncias
sorvete
bermuda do you wanna dance?
enquanto
a neve enraizada
descabela-te
eis-me
bocejo
fora
convosco por vossas desenvolturas
pra
blá-blá-blás virunduns
do
tamanho de nossa incomunicabilidade
eis-me
de fato
também
fonema ligado a outro
até
as reticências chegarem ao ponto
final
de nosso papo:
crescei
e multiplicai-vos
sem
o espelho
(rodrigues
da silveira, 2005)
quinta-feira, 2 de julho de 2015
forma
fixa
seja,
sono, o sumo do meu soneto,
manco
num pé, mapeado poema,
apeado
do sentido, trono comum, pó
a
destrocar-se nó, insurreto
olhar
sem o ar usurpado à rima,
usura
que esmurra, surra a finitude
da
mente, quietude por impostura,
temente
eco, silêncio que aproxima
francamente!
miragem ampla à margem,
o
infinito zomba, tomba, assunção
postada,
assuntada nesta mensagem
ínfima
e lógica, táctil substrato,
alegoria
da alegria nessa algaravia,
paixão
revelada neste chão, o abstrato
(rodrigues da silveira, 2005)
canção da ilha do tesouro
as pessoas querem um mapa
estão empenhadas a procurar
querem as pessoas um mapa
nós queremos aquele mapa
há quem demonstre maior empenho
há evidências desse desempenho
queremos nós aquele mapa
a gente quer o mapa
quer porque quer
mas a procura dá nessas pessoas
essas pessoas que só querem o mapa
a gente quer o mapa
e essa gente empenhada à caça tão
evidente
a dar de cara com nossas retinas
extenuadas
extenuadas pela clareza do sol a sol
e essa gente só quer o mapa
queremos também o que quer toda a gente
mas encontramos os macacos do nariz
também cheiramos no ar o sal de toda
essa gente
e toda essa gente quer mais do que nós
queremos
e toda essa gente sabe o que quer
se o mar acaba e começa na areia da
praia
por que o mapa por uma concha
escapa?
escapa?
(rodrigues da silveira, 2013)
quarta-feira, 1 de julho de 2015
o portal
aquela
madrugada calou em mim
abruptamente
rente, assim transfigurada
a
imensidão moldou-me escuridão
serpente
de cristal a pensar o depois
pondo-se
em torno de meu sono
janela
abissal para esses dois...
aquela
madrugada calou em mim
o
marfim que se revela mundo
ruído
trapista distraído de si
labirinto
indiferente do instinto
lendo-me
vagamundo inconsequente
trapezista
a perder-se nos instantes
nesses
perfis nada errantes...
aquela
madrugada quis me envolver...
(rodrigues da silveira, 2004)
sexta-feira, 19 de junho de 2015
o primeiro adeus é sempre
o último
não importa que o bêbado
grite por um abraço
adeus nenhum dura uma
garrafa
pouco importa o beijo
prolongado
se diz adeus, diz-se uma
vez
do inverno ao verão tal
plenitude
todo adeus é sempre único
1990
segunda-feira, 15 de junho de 2015
fim
só
o sol
sob
a lua
luz
o sim
1990
(In: a rosa barroca, 2014)
sábado, 13 de junho de 2015
o ator
vê o grito preso naquele olhar
vê o grito preso naquele olhar
e
reconhece o guizo
ouve
num gesto o que o prende
e
dissimula o azul
vive
para dominar os nervos
entusiasticamente
e
num previsível jogo de cena
suicida-se
1991
(In: a rosa barroca, 2014)
sexta-feira, 12 de junho de 2015
exílio
suspenso
em minha síntese
surpreendo
o silêncio
revestindo
no visto
a
egocêntrica ausência
1987
(In: a rosa barroca, 2014)
álibi
o vazio
o vazio
entalhando-se
prata
ao
assentar por reflexo
outro
fio de espaço
a
madeira
revelando-se
exata
nos
traços da cadeira
ao
assuntar no disperso
uma
sombra
1989
(In: a rosa barroca, 2014)
terça-feira, 9 de junho de 2015
lógica
o querer
o querer
aprender
a jogar
pra
saber perder
o
saber
aprender
a perder
pra
poder ganhar
o
poder
aprender
a ganhar
pra
não querer jogar
1989
(In: a rosa barroca, 2014)
terça-feira, 2 de junho de 2015
sonâmbulo
visto os meus ossos
ainda lavados de sono
visto-os ao conforme de mim
é para melhor despachar tantas urgências
de ciências cotadas em tantos departamentos
depois não reconheço a dor que me firma
nada daquilo confirma o carimbo do indispensável
e seguindo ao meu modo o protocolo
pago os impostos ao recolhimento
despido do dia tão bem desempenhado
penso o corpo em que padeço
pendurando-me nos sonhos
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