quarta-feira, 14 de outubro de 2009

NOVA POÉTICA

Vou lançar a teoria do poeta sórdido.
Poeta sórdido:
Aquele em cuja poesia há a marca suja da vida.
Vai um sujeito,
Sai um sujeito de casa com a roupa de brim branco muito bem engomada,
                            [e na primeira esquina passa um caminhão,
                            [salpica-lhe o paletó ou a calça
                            [de uma nódoa de lama:
É a vida.

O poema deve ser como a nódoa no brim:
Fazer o leitor satisfeito de si dar o desespero.

Sei que a poesia é também orvalho.
Mas este fica para as menininhas, as estrelas alfas, as virgens cem por cento
                           [e as amadas que envelheceram sem maldade.

Manuel Bandeira

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